Bem vindos ao Varal da Poesia

O Varal da Poesia é um projeto que visa promover a cultura brasileira em forma de poesia. É um instrumento de identidade do povo brasileiro, resgatando nossas raíses. Podendo assim aprimorar, incentivar e enriquecer a cultura brasileira por todo o planeta. O Varal da Poesia, é o acúmulo de anos de trabalho árduo no incentivo da cultura brasileira no exterior em tempos em que a cultura brasileira despontava lentamente em pontos isolados dos Estados Unidos da America. É o resultado e realização de um sonho em poder promover a cultura brasileira para todo o planeta. Envie suas poesias, poemas, crônicas, contos, ensaios, duetos, cordel, cirandas, frases, prosas, sonetos, trovas, cartas, acrósticos, cartas… para avaliação incluindo dados do autor. Esperamos contar com a honestidade do autor respeitando os direitos autorais e enviando obras de sua propria autoria . O Varal da Poesia nao se responsabiliza pela autenticidade de obras enviadas.varaldapoesia@gmail.com
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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mors-Amor - Antero de Quental

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Oceano Nox - Antero de Quental




Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquantoo vento
Passava como o voô dum pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado enevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das cousas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que idéia gravitais?—

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Lacrimae Rerum - Antero de Quental


Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,

Quantas vezes tenho eu interrogado
Teu verbo, teu oráculo sagrado,
Confidente e intérprete da Sorte!

Aonde são teus sóis, como coorte
De almas inquietas, que conduz o Fado?
E o homem por que vaga desolado
E em vão busca a certeza, que o conforte?

Mas, na pompa de imenso funeral,
Muda, a noite, sinistra e triunfal,
Passa volvendo as horas vagarosas...

É tudo, em torno a mim, dúvida e luto;
E, perdido num sonho imenso, escuto
O suspiro das cousas tenebrosas...